O Japão teve em 2025 um boom de turismo, não sabemos se sentem o mesmo, mas parece que toda a gente esteve lá no ano da Expo. Famosos, amigos, por todo o lado havia quem dissesse “o próximo destino é o Japão”. Foi um crescimento tão exponencial que chegaram a existir piadas de comediantes. Mesmo assim ainda há pérolas escondidas.
Falando em pérolas… a verdade é que há mesmo pérolas neste arquipélago e em Mikimoto são mergulhadorAs que as vão buscar ao fundo do mar. Há florestas, aldeias, tradições ainda desconhecidas. Ainda há espaços sem turismo de massas e é possível visitar o Japão sem serem engolidos por estrangeiros como vocês em todo o lado.
Um segredo mais ou menos guardado é Naoshima. Os amantes de arte conhecem-na, tal como às vizinhas, graças à Fundação Benesse Art. Os comuns mortais desconhecem, inclusive japoneses com quem falámos.
Podem ler o nosso artigo sobre a Trienal de Setouchi e a Fundação Benesse Art.
As Ilhas Setouchi
São milhares de ilhas no mar interior de Seto, mas as principais são Naoshima, Teshima e Shodoshima. A Fundação Benesse Art tem espaços em Naoshima, Teshima, Inujima e Megijima. Nós decidimos concentrar-nos apenas em duas e explorar o máximo.
É preciso entender que as ilhas são relativamente remotas, no sentido em que é preciso conhecer e/ou ler para decidir chegar até lá. Por um lado cria-se uma espécie de turismo de nicho, os amantes de arte, de arquitetura e afastamo-nos das massas que encontrámos nas grandes cidades, que estão em todos os roteiros turísticos.
Foram consideradas o primeiro Parque Natural do país, mas nem por isso preservadas, tendo Naoshima e Teshima refinarias poluentes.
A Fundação Benesse Art Site
Há 40 anos, Tetsuhiko Fukutake e Chikatsugu Miyake, desenvolveram um projeto artístico e turístico e graças a eles o arquipélago tem crescido em edifícios e obras de arte, abrindo as ilhas ao mundo.
O Museu Benesse House abriu em 1992, a Benesse House Oval em 1995, o Museu de Arte Chichu em 2004, a Praia da Casa Benesse em 2006, o Museu de Arte Inujima Seirensho em 2008, o Banho Naoshima I Love Yu em 2009, o Museu Lee Ufan, o Museu de Arte Teshima, a Storm House e o Inujima Art House em 2010. E é em 2010 que nasce a Trienal de Setouchi. O Museu Ando, a Casa Teshima Yokoo e a Galeria Miyanoura 6 abrem em 2013. A Fábrica de Agulhas e a Teshima Seawall House abrem em 2016 e culmina com a abertura em 2025 do Novo Museu de Arte de Naoshima.
O desejo é preservar a vida tradicional e remota dos habitantes, mas trazer visitantes. Pretendem-se visitantes que queiram conhecer a comunidade que ali vive, falar com eles, misturar-se com a população. Se o conseguiram? Não sabemos dizer, porque a exclusividade dos hoteis da fundação também atrai um visitante low profile, de classe media alta que não se quer misturar.
Naoshima
Não foi difícil chegar aqui, e do ferry a abóbora “joaninha” de Yayoi Kusama saltou à vista. A abóbora vermelha chegou em 2006. É oca, aberta e pode ser explorada pelos visitantes.
A ilha tem autocarros que nos levam aos pontos principais e provavelmente é perfeita para ser escolhida como pouso.
Dica: Outra cidade menos visitada é a cidade natal de Yayoi Kusama, Matsumoto.

O que fazer
Explorar a ilha: não só do ponto de vistas das obras de arte espalhadas, mas também como forma de desfrutar dum espaço “puro”. Obras de arte contemporânea espalham-se na zona do porto. O artista português José de Guimarães instalou o seu Bunraku Puppett no jardim junto ao porto e ilumina-se ao por-do-sol. O porto de Honmura tem uma obra de arte (estacionamento de bicicletas) que também merece a visita se partirem de lá de ferry.



Praia: foi a primeira praia que vimos no Japão. Não estava muito quente, mas é uma zona onde podem aproveitar para molhar os pés ou ir a banhos.


Museus: aqui está um dos fortes da ilha, sem dúvida. A Fundação tem criado obras muito especiais que impressionam, que permitem desfrutar da arte, mas também da paisagem porque há uma sinergia entre ambas.
Temos o Museu Benesse House, de 1992, a Galeria junto ao mar, e a exterior.






Temos também Museu de Arte Chichu aberto em 2004. O Jardim Chichu tem as mesmas espécies de flores que Monet plantou em Giverny.
O Novo Museu de Arte de Naoshima abriu na primavera de 2025.


Há o Museu Lee Ufan. Pequeno mas com um grande espaço exterior.


Do outro lado da estrada, junto à paragem de autocarro fica a Galeria do Vale.


Há a Galeria Hiroshi Sugimoto: Corredores do Tempo que não visitámos. É grátis para hospedes do hotel.
O Projeto Art House são sete espaços que eram casas de habitação e foram transformadas em galerias de arte.

O Museu Ando é uma casa de betão encaixada numa antiga casa.


À prova de crianças (menores de 5 anos não entram) são Anel de Fogo – Solar Yang & Luar Weerasethakul: o dia e a noite representam-se através de obras de arte, ativadas alternadamente. O Banho Naoshima “I♥︎湯”: foi criado por artista Shinro Ohtake e é explorado pela Associação de Turismo Town-Naoshima. O Setouchi” “Arquivo recebe o arquivo, obra do artista Motoyuki Shitamichi, onde se arquivam materiais que reflectem a cultura e natureza locais. E depois temos um dos nossos preferidos: O Plano Naoshima “A Água”.

Industria: pode não parecer mas a ilha de Naoshima tem uma região industrial que é explorada pela Mitsubishi. É possível fazer visitas guiadas, marcadas com antecedência.
Slow living: aproveitar para tirar uns dias e viver como se fossem residentes da ilha. Ir tomar café, percorrer as ruas, ver as explorações de marisco, caminhar, levar as crianças ao parque infantil. Desfrutem.
Onde comer
Museum Restaurant Issen: fica no museu Benesse House, no rés do chão. Tem um pátio exterior. Serve as três refeições, sendo obrigatório reservar o jantar.
Museum Cafe: também fica no museu, no segundo andar. Abre das 10 às 17h e serve almoços. Tem um jardim exterior e vista mar.
Terrace Restaurant: fica no hotel e tem vista para o mar. Fecha à hora de almoço. É aqui que os hóspedes fazem as refeições, mas não hóspedes também podem reservar. Recomendam sempre reserva, sendo obrigatória para jantar.
Café Chichu: fica no museu e só entram visitantes com bilhetes.
Cafe Novo Museu: existe um espaço no piso de entrada que serve refeições.
Toshi: fica perto do porto Honmura. É necessário reservar.
Regalo: ficava no nosso hotel, é um restaurante italiano. Os talheres são Cutipol. Quão surpreendente pode ser chegar ao outro lado do mundo e estar a comer com talheres made in Portugal?
Perma_Naoshima: fica no porto de Miyanoura. Tem muito boas criticas, tanto de estrangeiros como de japoneses.
Como chegar

Uma das formas principais é a partir de Takamatsu. É mais caro, os ferries até Miyanoura custam 680 JPY ou 1590 JPY (barco de alta velocidade).
Nós fomos a partir de Osaka, no comboio especial Shinkansen Hello Kitty até Okayama. Apanhámos um autocarro até ao porto de Uno. Aí viajámos de ferry para Miyanoura. E a partir do porto de Miyanoura fomos de autocarro. Custou 300 JPY. Dos 5 aos 12 anos pagam metade.
Também podem ir de Uno a Honmura. Custa o mesmo. O ferry noturno custa o dobro.
O hotel dá desconto de 15% aos hospedes que chegam de ferry com o seu próprio carro, apenas na tarifa do veículo.
Há um autocarro que circula pela ilha. Custa 100 JPY ou 50 JPY (5 aos 12 anos).
Há uns shuttles grátis entre museus da Fundação Benesse Arte. Há uns só para hóspedes, como o que parte do Porto de Miyanoura.
Pode-se alugar carro ou bicicleta.
Onde se alojar
Provavelmente é melhor ficar alojado em Naoshima. Para nós a vida lenta e calma de Naoshima foi perfeita para relaxar e explorar os museus a um ritmo mais lento. No entanto, há quem considere melhor ficar perto de Uno ou de Takamatsu e vir de ferry durante o dia.
Nós ficámos no Wright Style, com restaurante e bicicletas para alugar. Tinha pequeno almoço incluído, e bicicletas. E a curiosidade que já referimos no restaurante, talheres da marca vimaranense Cutipol. O quarto era confortável e tinham várias amenities para utilizar como cremes. Também davam toalhas para poderem ir à praia. Havia um parque infantil perto do hotel.
Há Ryokans na ilha. Podem escolher.
Em Takamatsu encontrámos o apartamento Simasima-Stay com muita pinta. No porto de Uno existe o Nagi Unoport.
Hotel Benesse House
Praia: são os quartos mais perto da praia, e apenas 6. As crianças até 5 anos não contam como hóspedes ocupantes de quarto, mas também não têm direito a cama, espera-se que durmam com os pais.
Museu: há quatro quartos dentro do museu, todos com obras de arte. São quartos muito especiais com vista para o mar. Aqui não se aceitam crianças com menos de 5 anos.
Oval: fica no topo do monte e é acessível a partir do museu de monocarril. Só hóspedes alojados no Benesse House Oval são admitidos.
Cultural Melting Bath: os hóspedes podem reservar ao domingo o jacuzzi exterior para tomarem um banho de ervas relaxante. Existe desde 1998.
Em Naoshima não recomendamos. O dinheiro físico é bastante importante, principalmente para pagar transportes públicos como autocarros.
Pontualissímos, chegar a horas é estar atrasado.
Dicas
Com o passe de verão da Trienal de Setouchi a maioria dos locais estava incluido no preço.
A Fundação é bastante cuidadosa com os seus visitantes. Há guarda-chuvas para utilizarem nas filas por causa do sol, autocarros que vos levam entre museus e borrifadores de água nas zonas de espera ao livre.
Nós viajámos com um seguro da Heymondo, porque permite cancelar mais facilmente por doença de menores de 48 meses. Com o nosso link têm 5% de desconto.

Levámos um eSIM da Holafly e foi um sucesso, provavelmente não vamos querer outra coisa em viagem. Com o nosso link Holafly ou código (365DIASNOMUNDO) têm 5% de desconto.

365 dias no mundo estiveram no Japão de 18 agosto até 5 de setembro de 2025



