Andámos a planear o Japão com alguma desorganização para nós. O salto de uma filha para duas aumentou a nossa carga diária e a viagem em si teve menos tempo para análise. Podíamos ter feito como fazem a maioria dos visitantes e focar-nos na ilha principal do Japão. Podíamos ter programado conhecer mais cidades, mas preferimos não abdicar de seis noites de praia. Okinawa entrou aqui, um arquipélago de ilhas paradisíacas. Como dizer que não?
Okinawa, o arquipélago, é um conjunto de quatro grupos de ilhas: Miyako, Ishigaki, Amami e Okinawa. São mais de 160 ilhas.
Ilha de Okinawa
Nós optámos por não sair da Okinawa, e ficar em Onna (local do resort), ainda que com alguma pena. A ilha é bastante industrializada e com poucas estradas, logo em horas de ponta há muito trânsito. Depois de conversar com um japonês que visita Okinawa duas vezes por ano pareceu-nos um absurdo perder tanto tempo para visitar outra ilha. Talvez se tivéssemos ficado em Naha esta decisão tivesse sido mais fácil, pois um dos portos de saída dos ferries é lá.
O que visitar
TeamLab Future Park: não fomos. É um espaço que combina arte com conhecimento e ciência. Dinâmico, visual, divertido provavelmente um bom local para quem tem crianças. Nós fomos ao TeamLab Planets em Tóquio e adorámos. Custa 2000JPY a adultos e 1200 dos 4 aos 12, dos 13 aos 17 custa 1400.
Aquário Churaumi: no último dia aproveitámos o check-out matinal e fomos ao aquário em Naha. Nós fomos no nosso carro alugado, mas há excursões/tours com a GYG como este de Visita a Naha e Aquario Churaumi. O espaço é grande, nós não conseguimos visitar tudo. Ainda estamos a decidir se é um espaço que honra ou explora animais. Parece-nos pouco simpático para eles, principalmente depois de ver o tubarão baleia e os manatins que sentimos que tinham pouco espaço. Por exemplo um tubarão baleia mede entre 5,5 a 10 m em média, e o tanque tem 10 metros de profundidade. Quando alimentavam os peixes sentíamos que o tubarão em “pé” ocupava toda a altura do tanque.
O aquário faz parte dum parque maior e divide-se em algumas áreas como a Jornada para o Oceano Profundo, Convite para o Grande Mar, Jornada para o Grande Coral e Jornada para o Kuroshio.
Custa 2180 JPY (adultos), até aos 6 anos é grátis.


Castelo de Shuri: fica em Naha. É um castelo do reino Ryukyu que quase foi completamente destruído em 1945, na batalha de Okinawa. Era a sede do Governo Japonês e por isso foi fortemente bombardeado pelos americanos. Logo após o fim da guerra foi a sede da universidade até 1975. A partir de 1992, com base nas memórias e registos foi reconstruído. E em 2019 sofreu um incêndio, mas é desde 2000 património UNESCO. São pontos de interesse o Shureimon, o portão principal do castelo, e o Mausoléu Tamaudun, onde estão as tumbas reais.
Custa 400 JPY por adulto. Até aos 6 anos é grátis e estudantes pagam entre 160 e 300 JPY.
Quartel General da Marinha – túneis: a trincheira ainda está como foi deixada pelos marinheiros japoneses, embora a torre memorial seja de 1958. Também tem um centro de visitantes. Tem vista para o castelo Shuri.
Custa 600 JPY, crianças pagam metade.
Naminoue-gu: o templo Naminoue fica numa área sagrada em Naha. Era comum pescadores olharem para o topo, onde se encontra o templo e pedirem viagens seguras e uma boa pescaria. Destruído durante a guerra foi reconstruído em 1953 e finalizado em 1993. Acontecem aqui vários festivais, como de sumo e dança e pode receber casamentos.
Tsushima-maru Memorial Hall: fica em Naha, muito perto do Santuário Naminoue. Em 1944 um navio afundou quando evacuava civis. Morreram 1484 pessoas, principalmente crianças. A guerra estava-se a aproximar e ordenou-se a evacuação de estudantes e mulheres, mas nesse espaço de tempo a guerra chegou e atacaram o navio. O navio levava 1788 pessoas, contando tripulação e militares. O espaço foca-se nos civis que morreram e existe em memória das vítimas.
Custa 500 JPY
Pineapple Park: fica em Nago. É uma espécie de parque temático, podem comprar o bilhete pela Get Your Guide. O Nago Pineapple Park é um campo de plantações de ananás no norte de Okinawa transformado numa selva com um parque temático. Há o carro ananás, um comboio, doces com ananás e a zona dos dinossauros. Para os adultos temos uma destilaria e uma vinícola.
Custa 1500 JPY para adultos, crianças pagam a partir dos 4 até aos 15 anos 800 JPY.
Busena Marine Park: este parque na marina tem um observatório subaquático e barcos com fundo em vidro. A torre com o observatório fica a 170 metros do cabo e tem uma visão 360º do fundo do mar a 5 metros de profundidade. Os barcos do fundo de vidro custam 1560 JPY e fazem um tour de 20 minutos. O observatório custa 1050 JPY. A vista é 360º mas através de 24 painéis visíveis espalhados. Fica em Nago.
A combinação torre e barco custa 2100 JPY.
Castelo Zakimi: de 1420, restam as muralhas. Tem uma arquitetura inovadora. Tem no interior o Museu Yuntanza com exposição sobre os locais UNESCO em Okinawa. Há japoneses que vêm ver o primeiro nascer-do-sol do ano nas muralhas do castelo. O museu custa 500 JPY.
Ryukyu Mura: é um parque temático que representa uma vila Ryukyu. Representa a cultura, arquitetura e gastronomia da cultura Ryukyu.
Custa 1500 JPY, mas com o Klook e o nosso link é mais barato.
Torre do Oceano de Kouri: fica a 82 m de altitude. No primeiro piso tem um museu sobre a ilha. Tem restaurante.
Custa 1000 JPY.
Farois: o Farol Bisezaki é acessível quando a maré está baixa. O Farol Zanpa tem 31 metros de altura e a visita custa 300 JPY. O Farol Katsurensaki é outros dos que se encontra na ilha.

Parque Nacional Yambaru: foi nomeado parque nacional em 2016. É uma floresta subtropical onde se pode fazer canoagem, observação de animais, passeios, trekking, etc.
Dica: sabias que o Sri Lanka também é um ótimo destino de praias? Podes ler o nosso roteiro para 10 dias no país.
O que fazer
Praia, claro. Okinawa não seria chamada Maldivas Japonesas (péssima comparação) se não tivesse boas praias.


Praia Manza, faz parte do ANA InterContinental Manza Beach Resort.
Praia da Lua, faz parte também dum hotel (Hotel Moon Beach) e paga-se o estacionamento, 1000JPY e a entrada custa 3000 JPY.
Praia de Okuma tem acesso reservado e custa 1500 JPY, pois também faz parte dum resort (Okuma Private Beach & Resort).
Praia de Mirabu tem um grande areal, mas é mais simples que as praias acima com grandes explorações hoteleiras. Custa 500 JPY para estacionar.
Praia da Zanpa, é uma praia de areal branco perto do cabo com o mesmo nome.
Praia Esmeralda, foi considerada umas das 100 melhores praia do Japão. É uma praia única, pois o mar forma uma piscina natural bem perto.
Praia Sesoko fica na ilha com o mesmo nome, unida a Okinawa por uma ponte.
Praia Kouri, fica na ilha Kouri, acessível por uma ponte.


Nós visitámos algumas mas fizemos praia principalmente no hotel fora das horas do calor.
Snorkel: se há praia há mar, se há mar há snorkel. Tentámos fazer, mas apanhámos dois dias de agitação marítima. Depois com crianças só havia um tour que permitia levar a Francisca e era caro. Pensámos ir à vez e acabámos por adiar. Um resort também venderá tours de snorkel.
Mergulho: o Cabo Maeda e Odo Kaigan são locais famosos. No Cabo Maeda estamos perante o auto-intitulado melhor sitio para snorkel e mergulho da ilha, o estacionamento custa 100 JPY/h. É preciso ter cuidado, em Maeda há cobras venenosas no percurso até à praia. Em Odo Kaigan é acesso grátis.


Passeios de barco: o nosso hotel tinha barco, mas a agitação marítima (que nós nem percebemos), cancelou as viagens a que podíamos ir. Algumas obrigavam a ir a Naha e isso levou-nos a esquecer a ideia.
Ver cetáceos: zonas de baleias têm sempre passeios para as ver.
Klook.comComo chegar
Preferencialmente de avião e depois de ferry entre ilhas.
Nós chegámos a partir de Hiroshima e partimos para Tóquio. O aeroporto apesar de tudo é relativamente grande e tinha zona para as crianças brincarem.
Como circular
Apesar de quanto se fala em ilhas parecer que falamos de espaços pequenos Okinawa não é tão pequena como pode parecer. Há 4 formas de se movimentarem na ilha, metro, taxi, carro (alugando) ou autocarro.
Metro (Yui Rail)
Lemos chamar ao Yui Rail comboio (trem), mas a nós parece-nos mais um metro de superfície. O Yui Rail é a forma fácil de circular em Naha.
Autocarro (ônibus)
Andar de autocarro é a melhor solução se quiserem mesmo circular pela ilha e alugar carro não for uma opção. Pagam em dinheiro ou então com um IC Card Okica, tipo o Pasmo ou Suíça.
O Terminal rodoviário (Naha Bus Terminal) fica perto da Estação Asahibashi do metro.
Carro
Tanto podem circular de táxi, que é sempre a opção mais cara e nada vos garante que o motorista fala inglês ou alugar um carro. Nós alugámos e foi o ideal para nós.
Vantagem de alugar carro no Japão: as cadeiras auto são boas e vêm instaladas. Não há cadeiras velhas, pouco seguras, podiam ser como as vossas de casa. Nós alugámos no sistema habitual.
Nota: o Tiago fez a carta internacional antes da viagem.
Podem ler o nosso artigo sobre carro alugado.
Gastronomia
Apesar de ser semelhante à restante comida japonesa é adocicada. Tem muita influência ancestral, dai chamar-se muito de gastronomia Ryukyu. O prato principal é o Okinawa soba, os noodles são de trigo normal e não de sarraceno. É um caldo bastante bom que leva barriga de porco, mas também vimos com entrecosto. Comem muito Goyá (chamam-lhe melão, mas é uma espécie de pepino oco amargo). Fazem a barriga de porco lentamente fazendo com que se derreta na boca. A nossa estadia no hotel era de meia pensão, por isso almoçámos sempre fora, seguindo dicas que nos ia dando o japonês que conhecemos e que conhece bastante bem Okinawa.

Okinawa Soboya Fukuji: foi uma recomendação de um japonês que visita Okinawa com frequência. A carta é pequena, mas não nos fez diferença. Gostámos muito, mas a senhora fala pouco inglês.
Pizzeria da Enzo: fomos num dia de chuva. Têm pizzas, claro e uma ou duas opções de massas. A Raquel comeu aqui um tiramisu era bom.
Keijiro: mais uma recomendação. Valeu a pena. E falavam inglês.
Pork Village: tem um talho associado e um parque infantil no exterior que nos deu muito jeito. Servem sobas, bifes do lombo e tonkatsus.
Dentro do Resort Monterey: BBQ Beer Garden, ESCALE, ZUIENTEI e o Kobe para refeições e o Sunset Café para refeições ligeiras e snacks.
Ocean Blue Café: dentro do aquário Churaimi há um café que é a atração do espaço. Tem uns grandes janelões com vista para o tanque Kuroshio, ou melhor, as janelas do café são as paredes do aquário. Em cada uma dessas janelas há uma mesa que custa 1000JPY por pessoa, (excluindo menores de 6 anos), no entanto restantes mesas não têm taxa extra. Em todas é obrigatório o consumo. Precisam de tirar uma senha e sentar nas mesas junto do aquário pode levar a uma espera de 40 minutos a 1 hora, dependendo da afluência. A comida no espaço é fraca, vale pela envolvência, mas não pela comida. Alimentam o tubarão baleia às 15:30 se ainda estiverem no café a essa hora é imponente.

Onde se alojar
A ilha de Okinawa tem 4 grandes cidades: Naha, Motobu, Nago e Yomitan. Todas elas têm boas infraestrutura.
Nós escolhemos ficar num resort, para fazer praia. Isso levou-nos para uma zona mais afastada de grandes cidades. Escolhemos o Hotel Monterey Okinawa SPA & Resort, em Onna. O quarto era grande, dormíamos todos em duas camas de corpo e meio. Tinha uma varanda grande com vista mar. Todos os dias no vinham trazer pijamas e robes. Davam chinelos, sais de banho e trocavam toalhas de praia. As crianças tinham braçadeiras de utilização livre na piscina e coletes disponíveis na praia juntamente com brinquedos. Tem dois parque infantis, um para bebés e outros para crianças, piscina interior, ginásio, SPA e Onsen. A Raquel achou que tinha perdido o passaporte na véspera da partida e os funcionários foram incansáveis.
A maior parte dos viajantes diz horrores dos resorts e até percebemos em algumas circunstâncias. No nosso caso este resort por ser frequentado principalmente por japoneses fez-nos conseguir conversar com pessoas que vivem no Japão mais do que em qualquer outra cidade. Todos estavam de férias em família, mais leves, as crianças metiam conversa entre si e isso permitiu-nos conversar na piscina ou no restaurante com algumas famílias.
Também gostámos de ver o 413 Hamahiga Hotel & Café que fica em Uruma, outra ilha pequena, unida por uma ponte.
Dentro do Parque Nacional temos o Ada Garden Hotel Okinawa, mais isolado, mas uma experiência inigualável. Podem andar de bicicleta e caminhar.
Quando ir
Nós fomos em final de agosto, inicio de setembro, época de tufões, mas apanhámos um clima bastante bom, apesar deles dizerem que existia agitação marítima.
Em junho chove, mas tendo em consideração o que fazer praia e encontrar clima para isso seria o ideal de maio a setembro.
Conclusão
As ilhas de Okinawa são muito mais do que sol e mar. Entre a história do Reino de Ryukyu, as marcas da Segunda Guerra Mundial e a cultura que resiste, Okinawa tem muito para descobrir.
Sabiam que Okinawa é uma das zonas azuis? Aqui as pessoas vivem mais tempo com qualidade de vida, mais anos e com menos doenças crónicas.
De maio a setembro.
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Claro!!!! Percebemos em conversa com japoneses que Okinawa é um destino de eleição deles. Só para exemplificar, um japonês comentou que vem duas vezes por ano a Okinawa e não sente vontade de visitar outros países.

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365 dias no mundo estiveram em Okinawa de 30 de agosto a 5 de setembro de 2025




2 Responses
Nunca imaginaria ir ao Japão por causa das praias! Mas parece ter sido uma ótima escolha ficar num resort com as crianças em Okinawa.
Foi uma escolha acertada. Ótimo hotel, permitiu-nos encontrar japoneses num ambiente mais descontraído com quem conversámos várias vezes. E a praia e paisagens eram ótimas.