O que fazer na Ilha de Santiago (Cabo Verde)

Cabo Verde é conhecido em Portugal pelas suas praias e resort nas ilhas do Sal e Boa Vista, mas também pela sua morna, funaná e batuque que vêm de todo o arquipélago. A ilha de Santiago é a ilha principal e onde fica a cidade da Praia, capital do país.

Em Santiago entra-se no espírito do dia a dia de Cabo Verde sem viver a ilusão pincelada da perfeição de um resort e que esconde a verdadeira alma crioula. Ali conseguimos caminhar lado a lado com quem vai trabalhar, quem vende no mercado, os estudantes e os militares, e não estamos só com quem recebe turistas. Não existe mal nenhum em conhecer um país a partir dum resort, simplesmente achamos que é mais genuíno assim.

Santiago para nós tem um pouco de tudo, praias, que não sendo irresistíveis cumprem o propósito, natureza como a Serra da Malagueta, tem história e uma parte muito importante em Chão Bom que Portugal tem sido incrível em esconder debaixo dum pesado tapete. Não faltam cultura como a música e uma maravilhosa gastronomia. Mas para nós Santiago tem principalmente alma. A pessoas são acolhedoras, simpáticas, conversam e dão-se aos visitantes sem pedir nada em troca.

É paragem de navios cruzeiros e tem o amor de muitos italianos que chegaram e já não conseguiram partir. Os portugueses? Esses também aqui estiveram, partiram, mas a alma lusa ficou sempre um pouco crioula.

Os portugueses chegaram com as suas caravelas em maio de 1460, mas começaram a povoar as ilhas desabitadas dois anos depois, escolhendo Santiago como o primeiro local. Cabo Verde foi utilizada durante muitos anos como ponto estratégico para o comércio de escravos. O final da escravatura deixou Cabo Verde sem um verdadeiro papel e levou ao seu declínio, mas ao mesmo tempo levou à formação deste povo onde antigos escravos e colonos formam uma nação e um povo único, a tal mistura crioula.

Amilcar Cabral em 1956 quis a independência de Cabo Verde e formou um partido, mas só foi possível em 1974. Conterrâneos foram presos e levados para Chão Bom.

O que visitar

Cidade da Praia

Farol D. Maria Pia: inaugurado a 13 de junho de 1881 era essencial para evitar naufrágios. Existem registos de duas dezenas de naufrágios entre os séculos XVII e XX. Longe vão os tempos do faroleiro, sendo hoje automatizado. Funciona também como museu e podem entrar e subir até um terraço. A vista vale a pena. Tem WC.
É um de três faróis da ilha (Farol da Ponta Preta e Farol de Leste).

Miradouro: acima do restaurante Linha d’agua e perto do estacionamento junto ao Mambo Beach Club fica um miradouro com vista para o farol.

Mercado do Sucupira: são 15 mil metros quadrados do maior mercado informal a seu aberto da ilha. Fica perto do Shopping Cidades. Aqui encontram um pouco de tudo, roupa, eletrónicos, sapatos, decoração, legumes, frutas, peixe, animais vivos, mobiliário. São mais de dois mil comerciantes, muitas vezes mães com crianças, que não têm onde deixar os filhos. Também há pequenos espaços de refeições.

Shopping Cidades: nós apanhamos vários dias de chuva e por isso foi importante entreter a Maria. Comprámos umas meias anti-derrapantes e a Maria foi explorar o Neoon Park. A equipa é simpática e a Francisca dormiu uma sesta. Depois dividimos créditos com outra família com uma bebé para elas aproveitarem mais tempo nos “carrosséis”. Não tenham grandes expectativas com compras no shopping.

Planalto: ou Plateau, fez-nos lembrar a cidade alta de Luanda. A zona onde fica a parte mais movimentada da cidade. Tudo começa na Praça Alexandre Albuquerque que se rodeia pela Igreja Paroquial, Tribunal e Câmara Municipal. Na Praça assistimos a uma espécie de quermesse de instituições de solidariedade social onde foi uma alegria ver crianças a dançar. Caminhem pela Avenida Amilcar Cabral, onde estão grande parte das empresas e estabelecimentos. Vejam a linha de defesa da cidade, com os seus canhões.

Museu Etnográfico da Praia: é um museu simples, mas onde aprendem muito sobre a cultura, seja o crioulo, o pano, a cerâmica, etc.

Mercado Municipal da Praia: o mercado é um bom ponto para se abrigarem da chuva ou para comprarem fruta e conversarem com as pessoas. Aqui as nossas filhas interagiram com as crianças presentes, muitas acompanham as mães ao mercado. Ficam nas costas ou no chão da banca a brincar.
No piso inferior tem zonas de refeições rápidas. Há quem prefira ir até à Assomada e explorar o mercado lá.

Igreja da Nossa Senhora da Graça: é uma igreja católica construída entre 1894 e 1902, por isso bastante antiga.

Palácio da Cultura Ildo Lobo: um edifício do século XIX, batizado com o nome do cantor falecido em 2004. É um edifício que marca o Planalto e que promove a cultura cabo-verdiana. Abriga temporariamente o Museu de Arqueologia. Preço: 200$.

Fundação Amilcar Cabral: está na página oficial e não diríamos melhor “A Fundação Amílcar Cabral é uma organização não governamental de utilidade pública, criada em 1984 por companheiros e seguidores dessa grande figura africana e de antigos combatentes da liberdade da pátria, com o objetivo de contribuir para a preservação da obra e da memória de Amílcar Cabral”.

Estátua de Diogo Gomes: é uma estátua da autoria de Joaquim Correia de 1956. Ao serviço do Infante D. Henrique explorou vários locais na costa africana e reivindicou a descoberta de Santiago. Fica na Rua Pedro Alvares Cabral junto ao Palácio Presidencial e vista para a Praia de Gamboa.

Quartel Jaime Mota: o quartel criado em 1826, nos tempos coloniais, mas ainda em utilização. Fica junto ao Palácio Presidencial. Existem um tanque e canhões junto ao edifício.

Miradouro Cruzeiro: fica na Rua Neves Ferreira junto a diversos canhões do tempo colonial com vista para o Porto da Praia onde hoje atracam cruzeiros, e também Charles Darwin atracou um dia.

365 dias no mundo porto da Praia Santiago

Cidade Velha

Ribeira Grande: foi a primeira capital, mas também a primeira “cidade” europeia nos trópicos. A escolha foi pela posição geográfica privilegiada. Permitia fazer reposição de manutenção, transporte de doentes, reparação de embarcações e o ponto que envergonha a nossa história, o transporte de escravos entre Africa, Europa e América. Subiu a cidade em 1533 e hoje é património UNESCO (desde 2009).

Pelourinho: é de 1520. Fica junto às árvores e à casa azul que vêem na foto abaixo.

Sé catedral: a Sé é de 1693, foi saqueada por piratas. É o edifício religioso maior da época na costa africana. Hoje temos apenas ruínas.

Forte Real de São Filipe: é de 1587, construído num alto para proteger a cidade dos saqueadores. Foi construído durante a dinastia Filipa após os ataques de Francis Drake. Estava concluído em 1593. Em 1712 foi saqueado por Jacques Cassard e toda a cidade incendiada. Está reabilitado com apoio do arquiteto Siza Vieira. O acesso é barato.

Rua Banana: é a primeira rua construída pelos portugueses. São casas de pedra e cal, uma porta duas janelas e telhado de palha. Existem nos registos 500 casas, hoje são um símbolo daquela época.

Igreja Nossa Senhora do Rosário: surge uma capela manuelina no século XV, que foi ampliada ao que existe nos dias de hoje. É um dos templos religiosos católicos mais antigos de África.

A primeira capital da ilha merece a visita.

Parque Natural da Serra da Malagueta: foi criado em 2003. A serra da Malagueta tem 1064 metros de altitude e é o chamado pulmão da ilha com mais de 700 hectares de área verde. Não fomos porque os dias estavam frios e com nevoeiro. Achámos que seria desagradável para as miúdas (não levámos casacos). Existe um Centro Interpretação.

Pico da Antónia: é o ponto mais alto da ilha com 1394 metros.

Tarrafal

O Tarrafal tem uma boa praia, pescadores e tem bom peixe. Foi aqui que fizemos um bocadinho de praia enquanto víamos pescadores a preparem logo ali um peixe a turistas.

Campo de Concentração do Tarrafal: imperdível, porque a memória tem que ser mantida viva. O campo de trabalho Chão Bom serviu o estado novo em duas fases, uma para opositores do regime ou chamados comunistas e outro para os nacionalistas das colónias. Hoje é um museu para relembrar que recebeu quase 600 homens e morreram ali mais de 30.

Picos

Miradouro Alto Babosa: é um miradouro inaugurado em 2025, com vista para os picos da ilha.

Assomada: é a segunda maior cidade da ilha e fica a 40km da Praia. Vale a pena visitar o mercado, principalmente às quartas-feiras e sábados.

Museu da Tabanca: está neste momento fechado, mas tem um acervo que remete muito à cultura cabo-verdiana e à memória.

Poilão (Pé de Polón): é a árvore mais antiga da ilha, com mais de 500 anos. Uma atração local com uns acessos estreitos. Fica na Boa Entrada – Assomada. Apanhámos o fechar da escola quando chegámos. Tinha um mural de Dino d’Santiago. Optámos por não descer até à arvore e ficar mais perto da escola. Há um parque de lazer perto.

Monumento Revolta de Ribeirão Manuel: representa a força do povo quando se decidiu revoltar contra os colonizadores e colher os frutos de purgueira sem pagar renda. Os rendeiros foram presos e Nhanha Bomgolom (Ana da Veiga) liderou a revolta. O óleo de purgueira era utilizado para iluminar as ruas de Lisboa e para fabricar sabonetes ou velas.

O que fazer

Praia: a lista de praias é grande. Em algumas pode fazer sentido terem sapatos aquáticos por causa das rochas que vêem na imagem. Temos uma lista de praias, Prainha, Kebra Kanela, Calheta de São Miguel, Gamboa, São Francisco, São Tomé, Baixo, Mangue, Fazenda.
Foi na Baía de São Francisco que Gago Coutinho e Sacadura Cabral amararam o hidroavião na travessia do Oceano Atlântico.

Piscinas Naturais: há algumas piscinas naturais que pelas fotos podem valer a pena visitar. Nós não fomos porque 1) queríamos descansar acima de tudo 2) com crianças piscinas naturais podem ser uma opção arrojada.
Há a Ribeira da Prata e a Cova Minhoto.

Caminhadas: há três trilhos principais, o da Serra da Malagueta, o da Calheta de São Miguel e o da Ribeira da Barca.

Tartarugas: a ilha de Santiago tem tartarugas, e é comum existirem ninhos em algumas praias. São espaços protegidos. Não recomendamos que se aventurem sozinhos, mas investiguem programas reconhecidos e vejam se é possível assistir à desova ou nascimentos. No Fogo funciona o programa Vito, mas em Santiago não trabalha com tartarugas. As nossas fotos são na Praia de São Francisco.

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Onde comer

Padaria Pastelaria Pão Quente: viemos a pé tomar o pequeno-almoço aqui, mas também dá para almoçar. É uma pastelaria mais de estilo europeu com um bom serviço, mas haverá sítios mais baratos.

Café Sofia: fica no Plateau e é uma opção para o pequeno-almoço.

Nas praias: há vendedores de água de coco, nas fotos junto à Praia Kebra Kanela.

Caza Antú: na cidade velha fica este espaço à beira-mar onde fomos duas vezes. Da primeira vez comemos Fasola e da segunda Garoupa. Foi a nossa refeição mais barata e das mais saborosas.

O Poeta Lounge & Food: foi o nosso primeiro almoço. É um espaço com uma vista boa, varanda, um ambiente familiar, em que as nossas crianças tentaram interagir com os filhos dos donos. A comida era muito boa e a Maria adorou o prato que veem na foto abaixo.

5al da música: que grande noite de música. Perguntámos onde conseguíamos assistir a música ao vivo, tínhamos pensado de forma espontânea, mas pareceu-nos difícil. Sugeriram-nos jantar no Quintal, no Plateau. Marcámos por telefone (MUITO IMPORTANTE!!!) e lá fomos. A comida foi ótima, pedimos torneio com molho de pimenta verde, arroz à moda do quintal e mousse de maracujá. Há um consumo de 1500$ por pessoa, menos as miúdas. As mesas estão muito próximas, porque a procura é imensa, não só por estrangeiros, mas por cabo verdianos que querem uma noite especial a ouvir música, quiçá também a cantar. Havia uma banda e depois o cantor foi chamando vários amigos que estavam no bar para cantar.

Linha D’água: é um bar de praia bastante agradável. Comemos atum grelhado e hambúrguer. A equipa foi muito simpática e acessível connosco. Podem comer nas espreguiçadeiras, não o recomendamos com crianças.

Café Tropical: fica no Tarrafal é e de um italiano. Têm boa pastelaria, fazem massas e pratos de marisco. Comemos misto de peixe, esparguete com polvo. Ainda pedimos duas fatias de pizza de presunto. A entrada foi bruschetta de brócolos, tomate, cebola e courgette. Bebemos sumo natural, pedimos tiramisu e fruta para as miúdas. O prato de frutas era lindo, vinha com banana, maracujá, laranja, ananás, melão e papaia.

Restaurante Mar di baixo: também no Tarrafal, tem pior classificação que o Tropical, mas melhor vista.

Big Lanche: estivemos aqui a comer gelados e a beber algo fresco, mas servem muitos pratos de peixe e marisco. Fica na Praia Baixo.

Onde se alojar

Consideramos que vale a pena escolha a cidade da Praia como pouso principal, mas talvez seja possível dividir a estadia entre Praia e Tarrafal.

Nós ficámos no Praia Capital Residence Aparthotel. É um alojamento dum italiano que vive em Santiago há décadas, muito simpático. A equipa é top, muito simpática. São apartamentos, bastante bem equipados. Falhámos porque a meteorologia não foi nossa amiga. Num dezembro normal quente e sem chuva ficar no Monte Babosa teria valido a pena porque teríamos piscina e estávamos mais longe da confusão. Com chuva e não dando para utilizar a piscina teríamos beneficiado duma estadia mais central.

Existem as cadeias Barceló, Oasis e Pestana, mas não era o que estávamos à procura. O Oasis Praiamar pareceu-nos bonitinho, não vimos por dentro. Aqui há uma rent-a-car, a Mendes & Mendes.

No Tarrafal o Oasis Tarrafal Alfândega Suites ou o King Fisher Village Eco-Boutique Hotel tinham bom aspeto.

Como se deslocar

Dentro da cidade da Praia e diríamos que até ao Plateau (Planalto) um taxi serve e custa entre 100$ e 200$ na maioria dos percursos.
Para fora deste circuito como até à Cidade Velha, ao até ao Tarrafal já teriam que ir num coletivo.

Nós preferimos alugar carro e não foi fácil. Há falta de oferta e não querem alugueres curtos. Tentam alugar sempre mais de 2, 3 dias e isso pode ser um problema.

Como chegar a Cabo Verde

Leiam o nosso artigo sobre entrar em Cabo Verde e outras formalidades.

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365 dias no mundo estiveram em Santiago de 30 de novembro a 5 de dezembro de 2025

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