Fogo: queijo, vinho e morna na ilha vulcão (Cabo Verde) 

“Raquel, mas vamos ao Fogo fazer o quê?” Diz-me o Tiago ainda em casa. Incomodada, porque não percebo como é que se pode pôr a hipótese de não ir à ilha vulcão penso que efetivamente não tenho nada para lhe dizer a não ser “ver”. É já no Fogo que tenho a resposta: ver o que nunca vimos e encontrar o que não achámos em Santiago. 

Não é uma ilha fácil logisticamente, mas é tão rica e variada que ainda bem que não abdicámos dela. Inicialmente Fogo e/ou Maio estavam na lista. Fogo e Maio são reservas da biosfera, por razões diferentes. Tendo que escolher e não podendo fazer as duas decidimos apenas pelo Fogo. 

Comecemos pela música, se nos permitem. Estamos na Chã, almoçámos na Casa Mariza rodeados de estrangeiros, mas é na Casa Ramiro que nos vemos envolvidos pela cultura cabo verdiana. É sábado e enquanto o Tiago faz uma prova de vinhos há músicos que tocam e cantam, visitantes cabo verdianos e residentes da ilha, mas de Santa Catarina e outras localidades chegam, e começa a dança. A Maria pinta a Francisca corre e dança, abanando cabeça e ombros, batendo palmas. Assim de forma meia espontânea, num espaço onde é habitual haver música. Somos os únicos forasteiros, mas a desfrutar daquela leveza que a música tem em África e que conhecemos de Angola. Eles dançam, riem, abraçam, apresentam noras, netos, sobrinhas e descobrimos que é uma ilha familiar. 

Mas família não é só musica e dança. Logo à chegada ao nosso alojamento somos mais uma vez transportados para memórias que temos de Angola, um óbito. Pessoas, o luto, ouve-se choro vindo da casa, mas também vemos o abraço e o cuidar com refeições. Em Portugal tem-se perdido este hábito do velório ser feito apoiando a família enlutada com refeições como me recordo de ter quando o meu avô paterno morreu. Aqui ainda se vai à casa da família, conversar, consolar e comer porque pessoas a fazer uma refeição juntas têm muito poder. Não haveria jantares e almoços oficiais e de negócios se não se acreditasse nisso. No dia seguinte conversamos com alguém da casa, claro, graças às crianças.

Para estrangeiros, para turistas é uma ilha rica em trilhos, natureza, paisagem vulcânica, fauna, é possível fazer enoturismo.

O que fazer na Ilha do Fogo

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Subir o vulcão Pico do Fogo: existe uma associação de guias para que os visitantes o possam fazer de forma segura. É um vulcão ativo, a última erupção aconteceu em novembro de 2014 e obrigou a evacuar Chã das Caldeiras na totalidade. O Pico do Fogo fica 2829 metros acima do mar. O trilho da Chã das Caldeiras leva até 6 horas a percorrer.

Subir o pico pequeno: uma subida pequena, mais calma, rápida e que serve a pais de família com crianças. 

Desova das tartarugas: aqui o programa chama-se Vitó e protege as tartarugas como o Tatô protege em São Tomé. 

Provas: há em vários locais e podem ser de vinhos e/ou de queijo de cabra do fogo. Nós fizemos na Casa Ramiro.

Andar de bicicleta na caldeira: a Casa Mariza tem bicicletas. 

Arte urbana: não encontrámos um roteiro definido, mas sim várias obras espalhadas principalmente em São Filipe.

O que visitar na Ilha do Fogo

Chã das Caldeiras: apesar das inúmeras erupções que originam rios de lava que arrastam campos agrícolas e casas o povo resiste e regressa antes do magma solicitar para recomeçar. Porquê? Porque a caldeira traz-lhes um terreno fértil. É aqui que se faz o único vinho do arquipélago, queijo e bolos.

Adega Chã: só abre de manhã. A erupção do Pico do Fogo em 2014 destruiu as instalações. Produz vinho branco, tinto, rosé e passito.

Centro Reserva da Biosfera: estava fechado. Fica na Chã.

Museu do café: fica em Mosteiros, estava fechado.

Onde comer

Mãe: tomámos aqui o pequeno almoço, tosta de queijo do fogo, meias de leite, papaia e torradas. O forte em todo o lado é comer Cachupa.

Casa Mariza: fica na Chã e diríamos que é o local ideal para ficarem alojados. Nós fomos só almoçar e era ótimo. Havia muitos estrangeiros com ar de caminhantes.

Melissa: comemos garoupa com aveludado de camarão e atum grelhado. Espaço simpático. 

Onde ficar no Fogo

São Filipe poderá ser um ótimo poiso, mas dizem-nos que uma noite na Chã a ver o céu estrelado é imperdível. Para ficar na Chã há várias ofertas mas talvez a Casa Mariza seja a melhor opção.

Nós ficámos na Cruzeiro Guest House, em São Filipe. Não o costumamos fazer, mas como o preço era baixo decidimos reservar dois quartos e cada um de nós ficou num com uma das miúdas. Equipa era excelente, simpática, cuidadosa, ajudaram-nos a alugar carro. Foram sempre queridas com as miúdas, apresentaram-nos a família e ainda deixaram o Tiago mudar o canal para ver futebol. Foi aqui que provámos cachupa ao pequeno-almoço. O terraço onde servem refeições tem vista mar.

Se querem ficar num local com piscina e numa casa com ar colonial temos a solução ideal. The Colonial Guest House tem um ar cuidado.

Como circular

Ora bem, alugar carro idealmente só a partir de dois dias. Nós conseguimos a custo só um dia a 7000$. De táxi um dia a dar a volta à ilha custa 150€. Talvez 120€, diz nos o taxista. O Tiago de cabelos em pé esforça-se e encontra o carro. Graças a funcionária que nos faz o check-in.

Subir até à Chã de táxi são 6000$, 1000$ de colectivo. 

Como chegar

Nós fomos de avião. Comprámos ainda em Portugal o voo Praia-São Filipe pela Cabo Verde Airlines. Foi um voo rápido. O aeroporto de São Filipe é bastante pequeno e humilde, mas cumpre a função.

À porta do aeroporto há taxis.

Também é possível chegar de barco, 5horas de viagem, mas muito mais acessível que um voo. As viagens são feitas pela CV interilhas. Unem várias ilhas. O tarifário varia pelo percurso. Santiago a Fogo custa 2980 escudos CV.

No dia seguinte damos mais uma volta, levamos as miúdas a um parque infantil, trocamos umas frases com quem nos pergunta se somos de Portugal, enquanto nos contam que familiares têm lá e em que cidades. Almoçamos no nosso alojamento, no meio de muita simpatia e diversão.

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Como é o clima na ilha do Fogo?

Varia. Levem sempre uma roupa mais quente e calçado de caminhada se tiverem intenção de ir à Chã. Arrefece durante a noite.

É preciso pedir visto para entrar em Cabo Verde?

Portugueses não precisam, para estadias curtas, como férias, mas precisam de fazer um pré-registo.

365 dias no mundo estiveram no Fogo de 5 a 7 de dezembro de 2025.

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