Ílhavo tem aquele “carma” de ver associadas a maior parte das suas atrações como pertencentes à vizinha Aveiro. Como município, engloba a cidade homónima, as Gafanhas da Nazaré, da Encarnação e do Carmo e São Salvador. É atravessada pelo Canal de Mira e o de Boco. A Ria de Aveiro torna esta região muito especial, principalmente na forma como “isola” as praias da Barra, da Costa Nova e da Vagueira (Vagos), passando entre estas e as Gafanhas da Encarnação, do Carmo e da Boa Hora (Vagos).
O que visitar
Museu Marítimo: foi todo renovado em 2001, ano em que passou a incluir o Bacalhoeiro Santo André, convertido em museu. Desde 2013 tem o Aquário dos Bacalhaus, uma exposição que homenageia a relação dos portugueses com este peixe. É um museu completamente voltado para o mar e para a relação que o município tem com a Ria de Aveiro.
A entrada custa 6€. Pode ser combinado com o Navio-Museu Santo André (8€) ou com a Vista Alegre (9€). Há descontos para jovens e estudantes. O bilhete família custa 15€ (integrado será de 20 ou 24€) e abrange 2 adultos e 2 crianças/jovens pagantes (6-17 anos). Até aos 5 anos é grátis.




Centro de Religiosidade Marítima: inaugurado em 2021, aquando do 84º aniversário do Museu Marítimo no Quartel de Bombeiros. É o primeiro centro de religiosidade centrado no mar em Portugal e revela a relação dos ilhavenses com o mar.
Bíblioteca Municipal: já quase não se fala de bibliotecas municipais, porque deixámos de as frequentar desde que a internet passou a ocupar grande parte do nosso tempo. Este edifício, juntamente com o Museu Marítimo e com a Casa da Cultura, simboliza a modernização da arquitetura da cidade.
Casa da Cultura: fica na cidade e é casa de inúmeros espetáculos de dança, concertos e teatros. Faz parte do 23 milhas, o projecto cultural de Ílhavo, juntamente com Fábrica das Ideias, Cais Criativo e Laboratório das Artes, faz parte da
Fábrica da Vista Alegre: quem não conhece a Vista Alegre como marca de porcelanas?



A fábrica formou uma pequena aldeia, com capela, palácio, creche, residências, enfermaria, refeitório, associação de trabalhadores e, claro, a fábrica em si. O museu foi todo renovado de 2014 a 2016 e passou a incluir dois fornos. Conta também com as lojas outlet e Bordalo Pinheiro, hotel, cafetaria e capela. A entrada no museu pode ser combinada com o Museu Marítimo por 9€. Isolada, custa 6€, e inclui a entrada na capela. Já fomos ao museu mais do que uma vez, e todas as vezes gostamos do espaço. Ficar afastada da cidade dá-lhe um sossego muito característico.
Podem ler o nosso artigo sobre a Vista Alegre e a visita ao Museu.

Teatro Vista Alegre – Laboratório das Artes: fica na Vista Alegre, a programação também é da responsabilidade da 23 milhas. Acontece mais no outono e inverno.
Farol da Praia da Barra: fica, claro, na praia da Barra, junto ao canal onde a ria se junta ao mar. Foi terminado em 1893 e já foi um dos maiores da Europa, com os seus 288 degraus até ao topo. Continua a ser o farol ais alto de Portugal, não sendo uma subida para todos. Se seguirem até ao final da Barra, do lado direito, vêem São Jacinto do outro lado. Muito esporadicamente (mesmo muito) vêem-se golfinhos. Abre a visitas às quartas-feiras à tarde. O seu foco luminoso intercepta os faróis da Figueira da Foz e de Leça da Palmeira.


Paredão da Praia da Barra: este paredão foi feito com pedaços da antiga muralha de Aveiro. Separa aquilo que chamamos de praia da Meia Laranja da praia Nova.
Palheiros da Costa Nova do Prado: As famosas casinhas de madeira, às riscas coloridas, branco e vermelho, branco e azul, branco e verde ou branco e amarelo. Guardavam os materiais de pesca ou serviam para salgar o peixe. Já restam poucas porque, até se perceber o verdadeiro potencial turístico dos palheiros, podiam ser construídas casas com qualquer estilo arquitetónico. Ficam na via principal, têm varandas, canteiros de flores e são pequeninas. Toda a gente pára para tirar fotos e, claro, há sempre quem abuse e abra a cancela para se sentar no interior da cerca. Não façam isso sem autorização, são propriedade privada. Já repararam na nova marca de loiça que se chama Costa Nova? A inspiração do logo é exatamente estes palheiros. Aproveitem para ir a praia, passear junto a ria ou perderem-se pelas ruelas que vão dar ao mar.


Cais Criativo da Costa Nova: foi inaugurado em 2016, obra de Nuno e José Mateus, do gabinete ARX Portugal. Representa um navio invertido. A sala de espetáculos leva 200 pessoas sentadas. Representa um navio invertido. É possível andar sobre o telhado.

Mercado de Peixe da Costa Nova: vale a pena visitar, mesmo que não seja para comprar peixe ou marisco. Perguntem aos vendedores como se fazia a pesca antigamente. Eles explicam-vos como utilizavam parelhas de bois para puxar as redes à chegada dos barcos, algo que atualmente é feito recorrendo a tratores. Perguntem se ainda podem assistir à Arte Xávega, o método artesanal para puxar a xalavar do mar. Sabemos que na praia da Vagueira e a de Mira ainda praticam a pesca artesanal, mas é algo que corre o risco de desaparecer se não houver apoios. A Raquel assistiu muitas vezes em miúda.
Se tiverem crianças que precisem de desgastar energia, podem divertir-se no mini-golfe junto ao Clube de Vela, com vista para a ria.

Navio-Museu de Santo André: fica na Gafanha da Nazaré, virando à direita antes da ponte da Barra. Está ancorado no jardim Oudinot desde 2001. É um antigo bacalhoeiro (1948). Na mesma zona temos o Forte da Barra. A entrada custa 3,5€ (ou 8€ se combinado com o Museu Marítimo).

Fábrica Ideias Gafanha da Nazaré: é mais um dos equipamentos onde o projeto cultural 23 milhas apresenta a sua programação. Existe desde 2010.
Casa Gafanhoa: casa de Vergílio Ribau e de Maria Merendeiro Filipe, construída em 1929. Para preservar a cultura local a casa foi transformada num museu em 2000. Representa a forma de vida de lavradores ricos.
Forte da Barra: o também chamado Castelo da Gafanha, foi construído como fortaleza militar para proteger Aveiro das investidas dos corsários e dos inimigos, tendo sido mais tarde uma prisão. Pensa-se que seja do tempo de D. João III.
Guarita: é considerado o Forte Velho, sendo o Forte da Barra também conhecido como Forte Novo. Servia de proteção sentinelas.
O que fazer
Estação Náutica: explorar as diversas atividades como passeios de barcos, rotas pedestres, passeios de bicicleta, roteiros gastronómicos, surf ou kitesurf.
Ir à praia: Barra, Costa Nova, ou até as praias dos municípios vizinhos. Mergulhar, caminhar, passear nos passadiços, comer uma tripa, fazer castelos na areia ou até só bronzear.
Comer: região de mar é sempre uma maravilha gastronómica e Ílhavo ainda tem a sorte de ter um forte na padaria, tanto no folar doce como nas padas. Ficando ao lado de Aveiro temos as tripas, as bolachas americanas e os ovos moles.
Ir a espetáculos: com a 23 milhas há muita oferta, concertos, teatros, exposições, estejam atentos.
Oficinas: com a Vista Alegre podem pintar uma peça, testar a arte da olaria, etc.
Quando visitar
A visita a Ílhavo deve ser combinada com Aveiro e Águeda, preferencialmente no verão, para se poder aproveitar o bom tempo. Não vamos mentir as praias são ventosas, a água é quase gelada e as noites podem ser frias, mas quem é desta região não se importa.
Em agosto decorre o Festival do Marisco e também o Festival do Bacalhau.
Também não deixa de ser charmosa no inverno. Em dezembro acontece o Aveiro Exodus Fest. A cada 1 de janeiro o evento do primeiro mergulho do ano é realizado na praia da Barra. No Carnaval temos os Cardadores. Os Cardadores são um grupo masculino trajado com cardas. Na páscoa há a queima do Judas. Durante o inverno é agradável passear no passadiço de madeira.
Onde se alojar
Montebelo Vista Alegre Hotel: fica a 8km de Aveiro, dentro do complexo fabril da Vista Alegre, e faz parte da renovação que englobou o palácio, a Capela Nossa Senhora da Pena, o Bairro Operário, o Teatro e o Museu. É um hotel de 5 estrelas com uma bela vista para o rio Boco. Falamos no artigo da Vista Alegre a nossa experiência.



Hotel Costa Nova: recria a fachada dos palheiros e fica na praia da Costa Nova, não em primeira linha de praia, mas próximo da Ria de Aveiro.
Hotel Ílhavo Plaza: fica em Ílhavo. Pelas fotos é agradável, mas não achamos que se justifique ficar em Ílhavo.
Casa da Ria: fica pertinho do Hotel Montebelo, é um turismo rural que permite uma estadia mais caseira, mas de qualidade.
Podem dormir num palheiro tradicional, renovado para o efeito. O preço é definido precisamente pela singularidade da estadia e pela raridade em conseguir encontrar um palheiro nos dias de hoje.
Onde comer
Barba Azul: casa de sushi. Já falámos em Aveiro do nosso fascínio pelo Subenshi, este é do género, e não é por acaso.
Pizzaria Brasão: o serviço é demorado e mau, mas nós gostamos das pizzas.
Duna do Meio: já à entrada da Costa Nova, serve principalmente marisco e peixe grelhado.
O Gafanhoto: fica na Gafanha da Encarnação e é muito bom. Liguem a reservar.
Na hora da sobremesa há duas gelatarias onde paramos, a Sherbet e a Milano. Para tripas de Aveiro e bolachas americanas nós vamos ao Zé da Tripa. O Tiago diz que uma de chocolate inteira é muitas vezes demasiado, quem viveu na região sabe que tem que se comer uma inteira. Devem comprar uma tripa de chocolate e/ou ovos moles. Se houver fila, isso só vos mostra como é uma iguaria.

Bares de praia, a Raquel frequentava dois, o Bronze (Costa Nova), o Offshore (Barra). Agora em 2026 a Raquel esteve no Sétimo (Barra) e recomenda. Antigamente havia uma discoteca (Quebramar) em pleno areal, entre as duas praias. De vez em quando há festivais ou concertos organizados nas praias. Só como curiosidade, o Bronze Seafood & Lounge Bar foi nomeado pelos escritores de viagem do The Guardian como um dos dez melhores restaurantes de praia.
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