Um dia em Sucre (Bolívia)

A chegada a Sucre não correu muito bem. Quando chegámos a Uyuni era demasiado cedo para se justificar deambular pela cidade até às 22h, hora do autocarro direto. Então, decidimos apanhar um autocarro até Potosí, e daí seguir para Sucre, onde iríamos dormir uma noite e passar o dia seguinte.

O autocarro logo fez rigor à fama que têm os transportes na Bolívia, zero cintos e condução irresponsável. O autocarro, sem ar condicionado ou quarto de banho, lá obrigou o Tiago a pedir autorização para se esconder atrás de umas casas numa das paragens. A viagem foi bastante interessante, a paisagem fantástica, montanhas, vista para o salar desde as montanhas, pequenas vilas, lamas e ovelhas, mas um motorista doido. Por diversas vezes apanhámos sustos com a sua condução, mas não havia nada a fazer.

Chegados a Potosí, nada, já não havia nenhum autocarro para Sucre. Só táxis privados, e tínhamos lido no Lonely Planet que esses deviam ser evitados. Lá tentámos, até percebermos que não havia outra solução se quiséssemos ir nesse dia para Sucre. Potosí, um destino famoso para visitar as minas de prata, lá ficou para trás.

Os terminais de autocarros em Potosí, exemplos depois para toda a Bolívia, foram um choque. O primeiro terminal nem água no autoclismo tinha. Além de mau, é importante dizer que também é pago, como todos os terminais no Chile e Bolívia. Sentimo-nos de volta aos nossos dias de despejo a balde, em Luanda, durante os seis meses em que o nosso edifício não teve água da rede. O segundo terminal, também em Potosí, era mais recente e maior, mas dentro reinava uma feira dos 28. Gritos para anunciar os destinos das companhias, tentativas de puxar/roubar clientes entre empresas… Sinceramente, sabíamos que a Bolívia não era um Chile ou uma Argentina, mas não estávamos à espera de uma diferença tão grande logo ali ao lado da fronteira. Lá apanhámos um táxi para Sucre, uma viagem de 3 horas, pagando mais que por um carro privado, e ainda tendo de levar mais um passageiro, além dos 3 (a Carrie foi connosco). Apesar de tudo, é uma viagem barata, considerando que são 3 horas de táxi, tendo pago 50 BOB (6,35€) por ocupante. Sabíamos que estávamos a ser enganados, mas não nos apeteceu tornar a apanhar outro táxi para regressar ao primeiro terminal, de onde saem os táxis a preço mais baixo. A viagem foi segura, mas chata, porque o carro era apertado, íamos desconfortáveis e com sono.

Sucre é uma cidade colonial muito bem conservada e animada. Foi a primeira capital do país e continua a ser a capital constitucional, apesar da sede oficial do governo ser La Paz, o que torna esta a verdadeira capital. A cidade fica a mais de 2800 metros de altitude, podendo existir algum mal-estar para quem não se habituou antes.

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Onde dormir e comer
Chegámos a Sucre, fomos deixados à porta do hostel, e logo percebemos que tínhamos escolhido um party hostel (Kultur Berlin Hostel). O hostel era todo ele uma festa, bar aberto ao público, restaurante, música, gente por todo o lado, conversas demasiado altas. Deram-nos pulseiras de pequeno-almoço e cartões com os nossos nomes para identificarmos as camas. E a seguir despejaram-nos no quarto mais escondido que tinham. Era silencioso, mas a tinta descascava e o chuveiro tinha um ar de não ver uma esfregadela no chão há uns meses. Este quarto simplesmente não encaixava. Chegámos cheios de fome e tentámos jantar, mas estava difícil, com o hostel a já não servir refeições. Toda a cidade fecha as cozinhas às 23h, só havendo bebida a partir dessa hora. Podem embebedar-se, mas não podem comer. Lá encontrámos um sítio daqueles que serve frango frito reaquecido as vezes necessárias até despachar o stock do dia, mas não havia alternativa.
No dia seguinte devemos dizer que o hostel subiu alguns pontos na nossa consideração. O buffet de pequeno-almoço estava ao nível de um bom hotel. Panquecas, frutas, torradas, pão fresco de diversas variedades, iogurte, sumos naturais variados, café, chá, aveia, muesli, granola, compotas e mais coisas que estão esquecidas. As músicas ao pequeno almoço eram as mesmas que se tinham ouvido na noite anterior e o som de pessoas a conversar uma constante. É um hostel enorme, recebendo pessoal de fora para o pequeno-almoço, portanto uma total confusão, quem quer silêncio não quer ficar ali.
Almoçámos num terraço agradável e com boa comida, o Café Gourmet Mirador, na Recoleta. Jantámos no Joy Ride Café. Comemos ótimos nachos e aproveitámos bem a promoção de duas sobremesas 2×1, éramos quatro e cada um comeu metade de cheesecake e de tarte de maçã.

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O que fazer
Ir ao Museo del Tesoro, situado na praça principal. É uma casa particular que expõe os metais e pedras preciosas da Bolívia. A entrada custa 25 BOB (3,2€) e fecha à hora de almoço. A visita guiada é muito boa, incluída no preço da entrada, organizada de forma muito interessante e com um bom guia. Encontrámos algumas peças em filigrana já no fim da exposição, que nos fizeram lembrar casa. Possui uma loja especializada na venda de ametrino (ametista com citrino), a que também chamam bolivianita, pedra preciosa do país. Esta pedra tem origem na mina Anahí em Santa Cruz e é única do mundo.
Ir à Recoleta, até ao miradouro, e ver a vista da cidade. A caminho da Recoleta encontra-se o Museo de Arte Indigena (ASUR). A entrada custa 22 BOB (2,8€). O local onde almoçamos fica junto à praça é um bom local para aproveitar um dia de sol.
Atravessar a Praça 25 de Maio (Plaza 25 de Mayo) e percorrer os mercados de rua à volta. Não há forma melhor de ver a alma duma cidade do que caminhar nas suas ruas e atravessar os seus mercados.
Ir à Catedral. Em dia de missa consegue-se sentir a atmosfera religiosa da cidade, mas para quem não aprecia missas é só espreitar, se a porta estiver aberta.
Ir a Casa da Liberdade, onde Simon Bolivar fundou a república.
Ver a Iglesia Nuestra Señora de La Merced, com um estilo muito diferente do da catedral.
Ir ao cemitério, o maior do país.
Há muito mais que fazer, mas num dia só é difícil ter melhores referências para dar.

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Vale a pena?
Podemos dizer que sim, para quem vai à Bolívia. É diferente do Chile, vão ver muitas senhoras vestidas com trajes típicos e todas com chapéus pretos redondinhos, que lhes dão um ar engraçado. Tem muitos edifícios coloniais, em bom estado, sendo Património Cultural da Humanidade da UNESCO. É uma cidade com muitas universidades, garantindo animação quase diária. A nossa amiga Carrie ficou mais de duas semanas por cá, a aprender espanhol, e parece que arranjou sempre que fazer.

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365 dias no mundo estiveram 1 dia em Sucre, a 25 de Abril de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: económico
Categorias: cidade, cultura, arquitetura, história, UNESCO
Essencial: Museo del Tesoro, Recoleta, Museo de Arte Indigena, Plaza 25 de Mayo, Catedral, Casa da Liberdade. Iglesia Nuestra Señora de La Merced
Estadia Recomendada: 2 dias

 

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